Crônicas
 

Inter com pinta de Time Grande

Pedro Brum
pedrobrum@uol.com.br



No futebol, a eficiência ganha títulos, mas nem sempre os campeões possuem a superioridade admirável que todos buscam.
Refiro-me àquela superioridade que nos faz lembrar, para sempre, do Santos de Pelé ou do Inter de 70, para citar dois exemplos inequívocos. Ainda é cedo, eu sei, mas o Inter desse primeiro semestre sugere estar neste caminho. Na comparação com ele próprio, há acréscimos de qualidade em relação às últimas temporadas. Lauro tem dado maior estabilidade ao gol, as duas laterais parecem melhor equacionadas, Sandro e D’Alessandro são afirmações de superioridade no meio e a dupla de frente, Nilmar / Tayson, é a mais eficiente que se tem visto por estas plagas nas últimas décadas, um misto de oportunismo, habilidade e velocidade com vocação para o gol.

Com todos esses acréscimos, brilham ainda mais aqueles já afirmados em temporadas recentes. Um desses casos é Guiñazu, grande líder da conquista do Gauchão. Dele, há várias cenas impressionantes, mas destaco uma protagonizada em Caxias, diante do Juventude.    

No Jaconi, por circunstâncias várias, o Inter enfrenta sempre excesso de hostilidade – aliás, a soberba que graça em alguns setores de nossa região serrana, algo perto da ilicitude com tintas de preconceito, que vimos aqui mesmo em Santa Maria, este ano, no enfrentamento do nosso Inter com o Veranópolis,  é algo que, muitas vezes, me parece bastante além da conta. Em certo momento do jogo de Caxias, Sandro tinha muita dificuldade para a cobrança de um lateral. A geral do Juventude, na base da cusparada, do achincalhe, da ameaça, não permitia a colocação adequada do cobrador. Guiñazu foi quem correu para próximo do alambrado e colocou-se, como um escudo humano, de braços abertos, para que o companheiro movimentasse a bola.

Guiñazu é isso: o batedor, o sujeito da coragem, o que não desiste nem arrepia diante da adversidade. O indispensável exemplo de que o futebol começa – e termina - pelo bom combate. Ele está sempre ali, sua ação constante é o exemplo permanente de que se alimenta o grupo.

Por fim, é preciso destacar que Tite significa um precioso acréscimo. Muricy sempre foi muito aplicado e Abel, grande agregador. Os períodos têm lá suas diferenças, mas nenhum deles conseguiu a eficiência coletiva que Tite tem alcançado. E o ano do centenário está apenas começando...

 

 





 

Consulado do S. C. Internacional
- Santa Maria-RS