Crônicas
 

CRÔNICA VERMELHA

Cleuber Roggia**
cleuber.roggia@uol.com.br
www.blogdocleuber.com

 

Amanhã é dia 04 de abril de 2009. 100 anos de vida e de glórias do Sport Club INTERNACIONAL. Sinto-me privilegiado, primeiro por ser colorado e, segundo, por poder ver o centenário alvirubro. As glórias coloradas, estas são vistas diariamente. Quem é torcedor do INTER, sabe do que estou falando. Dia 04 de abril de 2009 é um dia – não mais um dia – importante para nossas vidas, para a vida do nosso amado colorado. Da mesma forma como foi tão importante no instante de sua fundação, do mestre Henrique Poppe. Não vou, aqui, contar a história do INTER, até porque muitos outros, de mais idade e, portanto, de maior vida colorada, certamente contariam melhor. Portanto, não tenho essa pretensão.
O INTER faz parte de minha vida desde que nasci. Meu pai, amado pai que está em outro plano hoje, sempre foi colorado e, mesmo por vezes introvertido, sofria com o INTER e vibrava também. Aliás, sofrer com o INTER foi uma das coisas que mais fiz na minha vida e ainda tenho lembranças disso, que conservam meu sofrimento. Mas foi e é um sofrimento construtor. Muito perdi títulos. Muito chorei por perder títulos. Muito chorei por perder clássicos. Mas também muito chorei por ganhar títulos, por vencer clássicos, por tudo que o INTER representa em minha vida. Ainda choro, de alegria.

Como era muito jovem em 1979, não tive o privilégio de entender que meu time havia sido campeão, ou melhor, tri-campeão brasileiro, INVICTO, enquanto muitos não eram nem campeões. A partir daí, quando então entendi o que representava o INTER em minha vida, é que me lembrei de Balalo, Benitez, Ruben Paz, Cléo, Sílvio, dentre outros que faziam parte de meu time de futebol de botão. E, claro, Taffarel era o goleiro. O GreNAL do século, sim, esse eu me lembro direitinho. Estávamos numa casa alugada enquanto esperávamos a construção de nossa nova residência. Eu e meu pai, minha mãe não estava em casa. Lembro que meu pai foi consertar um suporte de lâmpada e fez uma chuva de faíscas. Eu tinha 13 anos. Sofri com o gol de Marcos Vinícius, no primeiro tempo. Um golaço. Mas, no segundo tempo, o INTER tinha no ataque, Nilson(matador) e Diego Aguirre. Na ponta esquerda, Edu Lima e, na direita, Maurício. O jogo acabou em 2 a 1 para o INTER, com um jogador a menos, pois Casemiro havia sido expulso no primeiro tempo. Dos pés de Edu Lima, saiu o cruzamento para Nilson(não perdoa, mata! Por João Alfredo, então narrador da Globo e atualmente na RedeTv!), de cabeça, empatar a partida, no Gigante da Beira-Rio. Mais tarde, da direita, Maurício cruzou rasteiro e Nilson, mais uma vez, empurrou a bola para as redes. Ali, na semifinal daquele Campeonato Brasileiro de 1988, ficava mais um GreNAL na história colorada. Ao término do jogo, o GreNAL do século era nosso, num jogo de emocionar até hoje. E comandados por Abel Braga. Nunca mais esquecerei disso, nem da chuva de faíscas em meu pai, da alegria dele, da minha alegria, do dia, do INTER.

Mais tarde, depois de dois vice-campeonatos consecutivos, em campeonatos brasileiros, o INTER voltou a levantar uma Taça de nível nacional, em 1992: a Copa do Brasil. Naquele ano, ela foi nossa. Um título que aliviou a perda da chance da Libertadores em 1989. Depois da Copa do Brasil, o INTER “descansou”. Assim, assistiu, na década de 90, o respeitoso rival deliciar-se com o bi-campeonato da América e o Brasileiro de 1996. Não foi fácil, mas fez parte, certamente, da construção dos títulos que hoje temos, ou seja, todos os possíveis.

Após o Supercampeonato Gaúcho de 2002, o INTER começou a crescer de forma meteórica. Com a administração de Fernando Miranda – um dos que iniciaram tudo -, Fernando Carvalho surge para o INTER ser “cada vez mais, cada vez maior”. Em 2004, decidi associar-me ao INTER, pois o clube dava mostras de que queria mais e muito mais. A filosofia de trabalho dentro do INTER fazia com que eu me identificasse mais ainda. O planejamento foi o forte do INTER, mas, certamente, a paixão e a qualidade dos que o dirigiam, era fenomenal. E, então, O INTER disparava no comando gaúcho, das terras do Rio Grande do Sul. Enquanto isso, meu planejamento de associar-me por acreditar que íamos crescer mais, era posto em prática,  e, sobretudo, porque era a hora de o INTER ser, mais do que nunca, o que seus idealizadores, mesmo sem imaginar, tem no gene ser: um clube verdadeiramente INTERnacional.

O Clube do Povo, o Clube de Todos, finalmente entendeu seu legado e conquistou, depois de terem tirado de nossas mãos o Campeonato Brasileiro de 2005, a AMÉRICA, o MUNDO, a RECOPA, a DUBAI, a SULAMERICANA, enfim, Tudo. Na Libertadores, em 2006, eu estava lá. Foi tão emocionante que algumas coisas nem me lembro, mas lembro que estava com meus amigos. Disso não posso esquecer. Lembro de meu pai e sua felicidade.

Hoje, o INTER tem mais de 80 mil sócios. É mais respeitado do que nunca em todo o mundo. Neste dia 04 de abril, no seu Centenário, certamente, aqueles que fundaram o colorado e aqueles colorados que já partiram, inclusive meu amado pai, e que estão enchendo o Céu de vermelho, estão felizes pela glória de serem colorados e pelas glórias do Campeão de Tudo.

O INTER é uma instituição em minha vida e eu sou uma instituição colorada. Mas, sobretudo, não seria mais colorado se não tivesse aprendido com meu pai a respeitar-me, a respeitar o adversário, a saber que antes do INTER, vem o futebol, o esporte, as pessoas, as instituições. Aprendi a amar o INTER, respeitando o seu maior rival, respeitando a torcida do rival, onde tenho amigos do coração e, inclusive, minha noiva, como torcedores, minhas sobrinhas, meu cunhado e primos e tios. Meu maior desejo, além de mais conquistas coloradas, é que um dia a ignorância de pessoas que se dizem torcedores de INTER e Grêmio, e que rompem a barreira da civilidade, do respeito, da amizade e da rivalidade salutar, desloquem sua petulância e sua empáfia, para o crescimento de seu time do coração.

Mais do que nunca, quero, ainda, agradecer a todos que fizeram parte dos tempos longínquos do INTER, pois sem eles, hoje, não seria possível tudo isso. Que o futuro venha com mais glórias. Que o futuro seja agora. Na verdade, não existe um tempo presente, como dizia um filósofo pré-socrático, existe, sim, o passado e o futuro. E eu, vou além, existe apenas uma linha do tempo que é contínua e que nela estamos, nós, colorados, embarcados na alegria e na paixão de sermos dignos de torcer por um Clube que diz muito de nós. Que os outros clubes me perdoem. Que os apaixonados por seus clubes me perdoem, mas não há sentimento melhor que torcer pelo INTER. Não há palavras para descrever um gol do INTER. Não há.

É um privilégio estar, hoje, comemorando o Centenário Colorado, pois o próximo, pelo menos nesse plano, não estarei. Mas, certamente, o vovô INTER estará, pois a paixão do torcedor colorado por seu clube é eterna, como é nossa alma.

Parabéns a todos os torcedores colorados, dos mais velhos aos mais novos, do que neste plano estão e aos que para outro plano partiram. Hoje, tenho 34 anos, mas quem tem 4 anos, vive num tempo em que o INTER é Campeão de Tudo e vencedor de suas maiores glórias.

Parabéns INTER, pelo seu centenário. O Centenário de Todo Mundo.
Esta crônica é uma homenagem de amor e especial, dedicada a meu Pai e a todos os amantes do esporte que apaixona multidões: o futebol. E, claro, aos colorados de Todo o Mundo!

INTER, NADA VAI NOS SEPARAR!

*crônica publicada no centenário colorado em blogdocleuber.com
**Cleuber Roggia é colorado e psicólogo. Escreve para o www.futebolnarede.com, desde 2004, e posta suas opiniões em www.blogdocleuber.com.

 

 



 

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