O Infiltrado
Ronaldo Lippold
Quando meu filho Pablo nasceu, um dos primeiros a visitar-nos foi o Vicente Lotufo, mais conhecido por Vivi. Veio com uma camiseta do glorioso Inter-SM. Temos até foto, o Pablo com cara de sapo, enrolado na dita camisa.
Mas o piá gostava mesmo do Inter da capital, então chorou e compramos a vestimenta vermelha.
Na época foi triste, hoje conto com alegria.
Lembro dele voltando da creche, com cara de infeliz. Perguntei o havia acontecido?
- Pai, todo mundo diz que meu time é podre.
Aquilo me doeu na alma.
A fase era muito difícil, o time apanhava seguido, principalmente para o arqui-rival.
Eu tentava consolar o pivete, falando das glórias passadas, Figueiroa, Falcão, Valdomiro.
Mas não adiantava muito, pois no próximo domingo o time apanhava de novo.
Condenei-me por ter passado o fanatismo para o garoto. Minha família toda é colorada;
Pai, Mãe, tios, sobrinhos, irmãos. Até a cadela.
Mas não tem mal que dure para sempre. Os anos passaram, o guri cresceu, apareceu o Fernando Carvalho e a coisa tomou outro rumo. Vieram os bons times de 2005 e 2006 e começaram a reaparecer as glórias.
Lembro da conquista da Libertadores da América. O Pablo e eu, pulando de alegria em meio a milhares de colorados na Presidente Vargas.
Acho que foi o dia mais feliz de toda minha vida. Não tem de nascimento de filhos, formaturas, casamento ou outras lembranças. O dia mais feliz sem dúvida foi aquele em que rompemos com o passado de derrotas e incompetência. Via a alegria estampada na cara de meu filho e de como valeu a pena esperar.
Para coroar este dia fantástico resolvi fazer uma festa.
Convidei Cacaio, Pedro, Sandália, Matheus, Douglas, Vivi e nós dois.
Churrasco, cerveja gelada, os gols reprisados, o hino tocando a todo volume, os gritos de guerra da torcida entoados em voz alta. Alegria geral. Achei muito estranho o Vivi, num canto da garagem, triste, sem acompanhar a cantoria.
- O que houve Vivi?
- Ta triste por quê?
E a surpresa na resposta;
- Eu não sei por que me convidaram, se eu sou gremista!